Mari: entre o silêncio e a estagnação

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A gestão da prefeita Lúcia de Fátima (PSB), a conhecida “Lucinha da Saúde”, em Mari, atravessa um momento que exige reflexão. A expectativa era de que em  2026 marcasse a consolidação administrativa e o início de uma fase de crescimento e entregas mais consistentes. No entanto, o que se percebe é uma gestão que ainda não conseguiu sair do ponto de partida.

Falta de articulação e liderança política

Em ano pré-eleitoral estadual, quando lideranças locais precisam demonstrar força e organização, a ausência de articulação política dentro do próprio município chama atenção. Embora existam movimentações junto a lideranças estaduais, parece faltar o essencial: o fortalecimento da base local.

Política se faz com presença, diálogo e construção permanente. Sem isso, o isolamento se torna inevitável — e perigoso.

Saúde: o ponto mais sensível

A área da saúde, que deveria ser a vitrine positiva da gestão, transformou-se em um dos focos mais intensos de críticas. Em pouco mais de um ano, a Secretaria de Saúde já passou por três mudanças de comando, demonstrando instabilidade.

As reclamações são frequentes: falta de medicamentos na farmácia básica, dificuldades no atendimento e aumento nas denúncias envolvendo a pasta. Quando a saúde não funciona bem, o desgaste político é imediato, pois atinge diretamente a população mais vulnerável.

Problemas na gestão de transportes

Na Secretaria de Transportes, também surgem queixas. Há relatos de usuários que precisam recorrer a terceiros ligados à gestão para conseguir atendimento. Se essas situações se confirmam, comprometem a transparência e a impessoalidade que devem nortear o serviço público.

Comunicação frágil e silêncio estratégico?

A equipe de comunicação tem buscado divulgar as ações do governo, mas enfrenta limitações. As reclamações nos programas jornalísticos da rádio local são constantes e, muitas vezes, ficam sem resposta oficial.

Mesmo que haja restrições em determinados veículos, a gestão dispõe de outras ferramentas — redes sociais, canais digitais e comunicação direta com a população — que poderiam ser melhor exploradas.

Na política, o silêncio raramente é neutro. Quando a gestão não responde, a narrativa da oposição tende a prevalecer. Defender-se não é apenas uma opção; é uma necessidade estratégica.

Oposição em crescimento

Enquanto a gestão enfrenta críticas, o grupo político da família Gomes se fortalece com a aproximação de antigos aliados da prefeita. Esse movimento sinaliza insatisfação interna e amplia o espaço da oposição.

A ausência de reação firme pode custar caro no futuro. Em política, vácuos de liderança são rapidamente ocupados.

Isolamento preocupante

Outro aspecto que chama atenção é o silêncio de secretários, comissionados e assessores. Quando a equipe não assume publicamente a defesa das ações da gestão, a prefeita acaba ficando sozinha no enfrentamento das críticas — como se estivesse conduzindo um barco que começa a dar sinais de naufrágio.

Ainda há tempo

Apesar das dificuldades, ainda há tempo para corrigir rumos. Uma gestão pode se recuperar quando reconhece falhas, reorganiza sua base, estabiliza áreas estratégicas e melhora sua comunicação com a população.

Lucinha tinha — e ainda tem — a oportunidade de fazer uma boa administração. Mas para isso é preciso ouvir mais, agir com mais firmeza e assumir protagonismo político.

Caso contrário, a estagnação poderá se transformar em desgaste irreversível.

Redação

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