Por que a comunicação da gestão municipal de Mari não decola?



A recente entrevista concedida pelo coordenador de Comunicação da Prefeitura de Mari, Marcos Sales, a um portal de noticias ,reacendeu um debate importante sobre a comunicação institucional da gestão da prefeita Lucinha da Saúde. Durante a conversa, o coordenador apontou a interferência de terceiros nas decisões da comunicação e criticou a prática de utilizar as redes sociais apenas como ferramenta de resposta a denúncias e críticas direcionadas à administração municipal.

Entretanto, o problema parece ir muito além da comunicação. Na prática, a dificuldade da gestão em transmitir suas ações à população pode ser apenas o reflexo de problemas internos mais profundos. Uma administração só consegue comunicar bem quando existe organização, planejamento e autonomia para tomar decisões. Quando esses elementos falham, a comunicação acaba sendo uma das primeiras áreas a sentir os impactos.

A prefeita Lucinha da Saúde chegou ao comando do município cercada de expectativas e com a oportunidade de representar uma alternativa política para Mari. Contudo, após mais de um ano de gestão, cresce a percepção de que a administração enfrenta dificuldades para encontrar seu rumo. A constante troca de secretários, muitas vezes sem explicações claras à população, reforça a sensação de instabilidade administrativa.

Outro fator que contribui para esse cenário é a aparente falta de integração entre os diversos setores da gestão. Uma coordenação de comunicação depende do acesso às informações para divulgar ações, prestar contas e aproximar o governo dos cidadãos. Quando as informações não circulam de forma eficiente dentro da própria administração, torna-se impossível construir uma comunicação institucional forte e transparente.

A impressão que fica é a de uma gestão onde muitas pessoas opinam e interferem nos processos, mas poucas assumem a responsabilidade pelos resultados. Essa falta de definição de papéis e de comando prejudica o funcionamento da máquina pública e acaba refletindo diretamente na imagem do governo municipal.

Enquanto o desgaste da administração aumenta, os grupos políticos que estiveram à frente do município em gestões anteriores observam atentamente o cenário, preparando-se para voltar ao debate eleitoral. Na política, a avaliação popular é construída diariamente, e os erros administrativos costumam ter consequências nas urnas.

Ainda há tempo para corrigir rumos e promover mudanças que fortaleçam a gestão. Porém, isso exige decisões firmes, autonomia administrativa e uma comunicação eficiente com a população. Caso contrário, a administração corre o risco de entrar para a história de Mari como uma das mais contestadas desde a emancipação política do município.

Este artigo reflete uma opinião baseada em fatos e percepções públicas sobre a administração municipal e tem como objetivo contribuir para o debate democrático sobre a gestão pública.

Paulo Sérgio/Folha do Araçá

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