Um pé em cada palanque na política de Mari

Foto Reprodução 


Análise – Paulo Sérgio

Ficar em cima do muro na política raramente é uma posição confortável. Para muitos eleitores, tentar agradar dois lados ao mesmo tempo acaba transmitindo uma imagem de falta de definição. Afinal, política também é feita de posicionamento.

E foi exatamente essa dúvida que voltou a circular nos bastidores da política de Mari neste último sábado (7).

O vereador Ronaldinho (PP), que publicamente se apresenta como integrante da base da prefeita Lucinha da Saúde (PSB), esteve na residência do ex-prefeito Antônio Gomes, hoje considerado um dos principais adversários políticos da atual gestão municipal. O encontro serviu para recepcionar o prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena.

O gesto, por si só, já gerou comentários. Isso porque Antônio Gomes rompeu politicamente com a prefeita e hoje representa um campo político oposto ao da atual administração.

Mas esse não foi o único movimento que chamou atenção.

Na primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Mari em 2026, o mesmo vereador fez diversas cobranças à gestão municipal, em um discurso que acabou reforçando críticas semelhantes às feitas por parlamentares da oposição. Uma defesa mais enfática da administração não foi vista naquele momento.

Curiosamente, algumas horas depois do encontro político na casa do ex-prefeito, o cenário mudou.

na noite do mesmo sábado, o vereador apareceu ao lado da prefeita Lucinha da Saúde, participando da entrega das premiações aos finalistas do Campeonato Mariense de Futebol 2025, evento promovido pela gestão municipal.

Outro detalhe que alimenta ainda mais o debate político na cidade é que Ronaldinho já declarou que não votará nos deputados apoiados pela prefeita, tendo inclusive apresentado publicamente seus próprios candidatos a deputado estadual e federal, alinhando-se a outros vereadores que também se dizem integrantes da base governista, mas seguem caminhos diferentes nas eleições.

Diante de tantos movimentos, a pergunta que começa a ecoar nas conversas de bastidores é inevitável:

O vereador está na base do governo, na oposição ou tentando ocupar os dois espaços ao mesmo tempo?

Na política, estratégia é algo legítimo. Mas permanecer com um pé em cada palanque pode gerar ruídos — principalmente quando o eleitor começa a querer entender, com mais clareza, de que lado cada liderança realmente está.

Paulo Sérgio 

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