BASTIDORES | Cuidado com o inimigo que você fabrica

Foto: Montagem IA


Por Paulo Sérgio

Nos bastidores da política de Mari, tem gente que parece ainda não ter entendido uma regra básica do jogo: na política, o adversário de hoje pode ser o aliado de amanhã — e o aliado de hoje pode ser o adversário de amanhã.

O que chama atenção nos últimos dias é o movimento de alguns aliados da prefeita Lucinha da Saúde, que começaram a direcionar críticas e ataques ao ex-prefeito Marcos Martins.

Mas existe um pequeno detalhe nessa história que não pode passar despercebido: Marcos Martins não parece estar fazendo da atual gestão o seu principal alvo.

Então fica a pergunta que circula nos bastidores: por que comprar uma briga que ninguém pediu?

Enquanto alguns parecem estar empenhados em ressuscitar antigas disputas, a política real está fazendo justamente o contrário.

Aliados que ontem estavam de um lado já aparecem conversando com quem antes era adversário. Pessoas ligadas a Antônio Gomes, que durante muito tempo estiveram distantes de Marcos Martins, já demonstram outra postura. E gente que orbitava o grupo de Marcos também já não trata Antônio como o inimigo de outros tempos.

Tem até participação em eventos.

Ou seja: a fila anda, o palanque muda e as fotografias políticas também.

E é justamente aí que mora o perigo.

Enquanto alguns aliados de Lucinha gastam munição mirando Marcos Martins, outros grupos parecem estar fazendo contas para 2028.

Porque política não se faz apenas com quem está ao seu lado hoje. Faz-se também com quem poderá estar ao seu lado amanhã.

E alguém precisa lembrar aos estrategistas de plantão que Marcos Martins tem grupo, tem lideranças e tem eleitores.

Transformar esse grupo em adversário declarado da prefeita pode ser um daqueles erros que só aparecem na conta quando chega a hora de somar os votos.

E tem mais.

Se a movimentação política continuar aproximando antigos adversários, quem pode sair ganhando com uma eventual briga entre Lucinha e Marcos?

Talvez não seja difícil descobrir.

Antônio Gomes acompanha o cenário. Marcos Martins acompanha o cenário. Lucinha acompanha o cenário. E os eleitores também.

Enquanto isso, alguns parecem querer jogar gasolina numa fogueira que nem estava acesa.

A prefeita Lucinha, se quiser preservar pontes para o futuro, deveria observar com atenção esse tipo de comportamento.

Não estamos dizendo que Marcos Martins e Lucinha precisam ser aliados. Cada um tem seu projeto, seu grupo e sua estratégia.

Mas existe uma diferença enorme entre não ser aliado e transformar alguém em inimigo.

E essa diferença, na política, custa caro.

Até porque quem hoje está sendo atacado pode amanhã receber um convite para sentar à mesa.

E quando chegar esse dia, talvez alguém precise explicar por que passou meses tentando destruir uma ponte que poderia ser útil.

A política tem memória

O eleitor observa.

As lideranças observam.

Os cabos eleitorais observam.

E, principalmente, os políticos observam.

Quem acompanha os bastidores de Mari sabe que as fronteiras políticas não estão mais tão bem definidas como estavam alguns anos atrás.

Antônio Gomes e Marcos Martins já foram adversários ferrenhos. Hoje, o ambiente parece menos hostil entre setores dos dois grupos.

E isso deveria acender uma luz amarela para quem pensa que política é feita de inimigos permanentes.

Não existe inimigo eterno. Existe interesse político permanente.

Por isso, talvez seja melhor para a prefeita Lucinha olhar para frente, cuidar da gestão e evitar que seus aliados criem adversários onde ainda não existem.

Porque, no jogo político, às vezes o maior erro não é perder um aliado. É fabricar um adversário que poderia ter permanecido neutro.

E fica o recado dos bastidores:

Marcos Martins está no espaço dele. Antônio Gomes está no espaço dele. Lucinha está no comando da Prefeitura. Cada um cuide do seu terreiro.

Porque quando a política começar a definir os próximos movimentos, ninguém sabe quem estará em qual lado da fotografia.

E quem hoje está gritando mais alto contra alguém pode ser justamente quem amanhã estará procurando um lugar ao lado dele no palanque.

Na política de Mari, o palanque gira. E rápido.

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