Maria Anunciada Dias: a professora que eternizou seu nome na história de Mari
Às vésperas dos 68 anos de emancipação política de Mari, Folhas do Araçá resgata a história de uma mulher que ajudou a construir a educação e a identidade do município
No dia 19 de setembro, o município de Mari, na Paraíba, celebra 68 anos de emancipação política. São quase sete décadas de uma história construída por muitas mãos: homens e mulheres que, cada um à sua maneira, contribuíram para o desenvolvimento da cidade e deixaram marcas que permanecem vivas na memória da população.
Entre essas personalidades está uma mulher cuja história se confunde com a própria trajetória da educação mariense: a professora Maria Anunciada Dias, autora da letra e música do Hino Oficial de Mari.
Mais do que uma educadora, Maria Anunciada foi uma mulher que dedicou grande parte de sua vida ao ensino, à formação de crianças e adultos e à construção dos valores cívicos que ajudaram a formar gerações de marienses.
Uma história de superação
Maria Anunciada Dias nasceu em 15 de janeiro de 1936, na cidade do Recife, capital de Pernambuco. Filha de Elvira Sebastiana da Paz, mulher trabalhadora e dedicada à criação da filha, Maria Anunciada enfrentou ainda muito jovem as dificuldades da vida.
Após a morte da mãe, passou a ficar sob a tutela dos padrinhos, Francisco e Amélia Vieira Liberal Quirino. Como eles já eram idosos, Maria Anunciada foi encaminhada ao Orfanato São José, anexo ao Colégio Monte Carmelo, em Princesa Isabel, no alto sertão paraibano.
Ali, aos dez anos de idade, em 1946, começou uma nova etapa de sua vida. Sob os cuidados das Irmãs Carmelitas Missionárias, recebeu educação e formação que posteriormente seriam fundamentais para sua trajetória profissional.
Em 1955, passou a trabalhar no Hospital Regional de Patos, que também era dirigido pelas religiosas.
A chegada a Mari
Em 1960, Maria Anunciada casou-se com o mariense Manoel José Dias, então cabo da Polícia Militar da Paraíba.
O casal veio morar em Mari em 1963, quando o município era administrado pelo prefeito Pedro Tomé de Arruda.
Na cidade, Maria Anunciada iniciou sua trajetória profissional na área da saúde, trabalhando como enfermeira no posto de saúde. Pouco depois, porém, sua vocação para a educação falou mais alto.
Passou a lecionar nas escolas Cantalice Magalhães e Grupo Municipal Epitácio Dantas, iniciando uma caminhada que se estenderia por décadas.
Depois de uma passagem pelo Rio de Janeiro, o casal retornou definitivamente para Mari em 1975.
Naquele ano, durante a administração do prefeito Eudes Arruda Barros, Maria Anunciada voltou às salas de aula por meio da Portaria nº 45/1975, assinada pelo então prefeito municipal.
A partir daí, sua história ficou ainda mais ligada à educação do município.
Foi professora do Grupo Municipal Epitácio Dantas, do Educandário O Nazareno e da Escola São Vicente de Paulo.
Também concluiu sua formação pedagógica através do curso Logos II e posteriormente exerceu a função de supervisora escolar em diversas instituições de ensino de Mari.
Entre elas estavam o Educandário O Nazareno, Agnaldo de Oliveira Pontes, Maria das Dores Silva, Centro Educacional do Procanor, Escola São Vicente de Paulo e a extinta Escola Menino Jesus de Praga.
A mulher que colocou Mari em versos
Foi em meados de 1982 que Maria Anunciada Dias escreveu uma das maiores marcas de sua trajetória: o Hino de Mari.
Com letra e música compostas com sentimento de amor e civismo, a obra passou a representar musicalmente a identidade do município.
Anos depois, o trabalho da professora seria oficialmente reconhecido.
Em 18 de setembro de 1989, a Câmara Municipal aprovou o Hino de Mari por meio da Lei nº 322/1989, posteriormente outorgada pelo então prefeito José de Melo.
Assim, a professora que dedicou sua vida à educação também deixou uma contribuição que ultrapassou os muros das escolas.
Sua obra passou a fazer parte das cerimônias oficiais, das comemorações e da memória coletiva da população.
Uma vida dedicada à educação
Maria Anunciada encerrou suas atividades docentes após adoecer e se aposentou em 12 de março de 1996.
Foram anos dedicados à educação, à orientação e à formação de gerações.
Sua trajetória profissional foi marcada não apenas pelo trabalho em sala de aula, mas também pela supervisão escolar e pela preocupação com a formação humana dos estudantes.
Em sua história, educação e civismo caminharam lado a lado.
O último capítulo de uma grande história
Maria Anunciada Dias faleceu em 14 de maio de 2024, de causas naturais.
Partiu serenamente, deixando para trás uma trajetória marcada pela fé, pelo amor à educação, pela dedicação ao próximo e pelo compromisso com a comunidade mariense.
Deixou os filhos Maria de Fátima Dias, Glória Maria Dias, Angelo José Dias, Amaury Fernando Dias, Almir José Dias, Paulo José Dias e Gláucia Maria Dias, além de netos e bisnetos.
Mas deixou também algo que não se perde com o tempo: um nome escrito na história de Mari.
68 anos de Mari, muitas histórias para contar
Quando Mari celebrar seus 68 anos de emancipação política neste 19 de setembro, milhares de pessoas estarão celebrando o presente e olhando para o futuro.
Mas uma cidade também se constrói olhando para trás e reconhecendo aqueles que ajudaram a construir sua história.
E entre essas pessoas está Maria Anunciada Dias.
Professora, supervisora escolar, mulher de fé, educadora e autora do Hino de Mari.
Sua história mostra que a construção de uma cidade não acontece apenas através de grandes obras ou decisões políticas. Ela também acontece dentro das salas de aula, através de professores que dedicam suas vidas a ensinar, orientar e formar cidadãos.
Maria Anunciada Dias ensinou gerações. E, ao escrever o Hino de Mari, acabou também escrevendo seu próprio nome na história do município.
Neste aniversário de 68 anos, sua memória merece ser lembrada — porque conhecer quem ajudou a construir Mari é também conhecer a própria história da cidade.
Da redação com a contribuição de Gilson Vinicius

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