ESCOLHA SEM MEMÓRIA NÃO NOS REPRESENTA.
Há momentos em que a revolta deixa de ser instrumento de reflexão e passa a ser apenas reação. E talvez um dos maiores perigos do nosso tempo seja justamente a revolta cega, alimentada pela indiferença e pela memória curta.
É legítimo criticar um governo. É saudável cobrar resultados, denunciar erros e exigir mais. O que não parece razoável é negar, por ressentimento político ou paixão ideológica, a importância de um governo que ainda representa a última trincheira de defesa de direitos sociais e trabalhistas conquistados ao longo de décadas.
Quando se apaga a memória, esquece-se que direitos não surgiram espontaneamente. Jornada de trabalho, salário mínimo, proteção previdenciária, direitos trabalhistas, políticas de inclusão e mecanismos de proteção social foram resultado de lutas históricas — muitas vezes enfrentando interesses poderosos.
Não se trata de transformar governantes em santos ou de fechar os olhos para seus erros. Trata-se de compreender o contexto e, principalmente, de saber o que está em jogo quando se escolhe negar aquilo que ainda protege os mais vulneráveis.
A crítica precisa existir. A indignação também. Mas ambas precisam vir acompanhadas de consciência histórica.
Porque, quando a revolta é cega, corre-se o risco de destruir a própria trincheira que amanhã poderá ser necessária para defender aqueles que hoje, tomados pela indignação, acreditam não precisar dela.
Memória é também uma forma de resistência. E, na política, esquecer o passado pode ser o primeiro passo para entregar o futuro.
(Galo de Campina).

Nenhum comentário