Lula fala em ‘intromissão indevida’ da Justiça Eleitoral: ‘Não vamos aceitar’
Presidente afirmou estar desconfiado de decisões contra aliados e anunciou que apresentará um pedido para contestar a atuação da Justiça Eleitoral; declaração foi dada antes de ato na Avenida Paulista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste domingo (11) a atuação da Justiça Eleitoral contra aliados de sua campanha e afirmou que não aceitará o que classificou como “intromissão indevida” no processo eleitoral. A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva antes de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp.
“Estou desconfiado do comportamento da Justiça Eleitoral sobre gente nossa. Vamos entrar com um pedido contra isso. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, afirmou Lula.
O presidente não detalhou, na declaração, qual medida pretende apresentar à Justiça Eleitoral. A manifestação ocorre a duas semanas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrentará Flávio Bolsonaro (PL).
TSE suspende ‘Exército do Lula’
Mais cedo, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, que reúne 3,2 milhões de seguidores no WhatsApp. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou Janones de utilizar a plataforma para coordenar a disseminação de informações falsas contra o candidato do PL.
O ministro deu prazo de três horas, a partir da notificação, para que a Meta, responsável pelo WhatsApp, impeça novas publicações e a entrada de seguidores no canal. A suspensão deverá permanecer em vigor até a homologação do resultado do segundo turno.
Na decisão, Nunes Marques afirmou que o canal funcionava como uma central de distribuição de conteúdos, com orientações para que os seguidores reproduzissem mensagens e vídeos em outras plataformas.
Entre os materiais analisados estão publicações que associavam Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, acusações de envolvimento com milícias e afirmações de que o candidato reduziria aposentadorias e benefícios sociais.
Segundo o ministro, parte desses conteúdos já havia sido considerada falsa pela Justiça Eleitoral. O magistrado também citou mensagens em que Janones orientava os seguidores a compartilhar publicações em massa para ampliar o alcance das mensagens.
“A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”, escreveu Nunes Marques.
Além da suspensão do canal, o presidente do TSE determinou que a Meta apresente informações sobre as denúncias recebidas e as medidas adotadas contra os conteúdos. A empresa também deverá preservar os registros das publicações por pelo menos um ano.
O pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para suspender a conta de Janones na funcionalidade de canais e impedir a criação de canais alternativos ainda será analisado. O deputado terá 48 horas para se manifestar sobre a decisão.
JOVEM PAN
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