Trump reconhece derrota republicana e admite negociar com democratas no Congresso

 Presidente dos EUA atribuiu parte do resultado eleitoral à guerra contra o Irã e criticou aliados após avanço da oposição nas eleições legislativas

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa sobre a construção em andamento de um heliponto e outros projetos no Gramado Sul da Casa Branca, em Washington, D.C., em 19 de agosto de 2026
O presidente também procurou se eximir da responsabilidade pelo desempenho de seu partido. Em publicação na rede Truth Social, destacou que não estava concorrendo nesta eleição e afirmou: "Se eu estivesse, teríamos vencido de lavada".JIM WATSON / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que aceitará os resultados das eleições de meio de mandato e está disposto a negociar com os democratas, que avançaram no controle do Congresso. A declaração foi feita ao jornal The New York Times, em meio à derrota do Partido Republicano nas disputas legislativas.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou Trump. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos poder trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo.”

A manifestação contrasta com declarações anteriores do republicano sobre a confiabilidade das eleições americanas. Durante a campanha, Trump havia condicionado o reconhecimento de uma eventual derrota à integridade da votação. Questionado em 27 de outubro se aceitaria o resultado, respondeu: “Sim, se [os resultados] forem honestos.”

O presidente também procurou se eximir da responsabilidade pelo desempenho de seu partido. Em publicação na rede Truth Social, destacou que não estava concorrendo nesta eleição e afirmou: “Se eu estivesse, teríamos vencido de lavada“.

Nas semanas anteriores, no entanto, Trump participou de comícios em diferentes estados e pediu aos apoiadores que votassem nos candidatos republicanos como se ele próprio estivesse nas cédulas.

A nova composição também abre a possibilidade de um terceiro processo de impeachment contra o presidente. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que a legenda ainda não tomou uma decisão sobre o assunto, mas não descartou a iniciativa. Segundo ele, qualquer medida deverá ser fundamentada nos fatos, nas leis e na Constituição dos Estados Unidos.

Trump já sofreu dois processos de impeachment, em 2019 e 2021, durante seu primeiro mandato, e foi absolvido pelo Senado em ambos. Uma nova acusação precisaria de maioria simples na Câmara para ser aprovada. A eventual destituição exigiria o voto favorável de dois terços dos senadores presentes no julgamento.

O reconhecimento dos resultados anunciado nesta terça-feira também marca uma diferença em relação à reação de Trump à derrota presidencial de 2020. Naquele ano, após perder para Joe Biden, o republicano passou a alegar fraude eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem as acusações.

Jovem Pan

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